AstroBlog: (atualizado em 18/10/2017

Essa página destina-se a conter alguns comentários rápidos a respeito de novas científicas. Não pretende ser completo, como sempre. Contém o essencial sobre minha opinião do vai rolando por aí, como um papo no chopp da semana.

Comentários com João Luiz Kohl Moreira



Astrobiologia: procura-se um cachorro-espacial: Uma nova forma de achar vida inteligente extraterrena acabou de ser proposta pelo astrobiofísico Ralph Lorenz da Universidade John Hopkins: descarga de vasos sanitários das naves espaciais! Isso mesmo: parece que dar descarga nos banheiros das naves espaciais, depois do número um, produz o mesmo efeito que os escapes de gás das crateras da lua Enceladus, do planeta Saturno, coisa que já observamos daqui da terra. Para Ralph Lorenz, uma vez que nos deparamos com uma pluma dessas perdidas no espaço, será aí uma candidata a uma nave extraterrena! Justamente numa hora de maior privacidade de nossos amigos ETs. Para ser sincero, vendo o xixi de John Lovell, interpretado por Tom Hanks, saindo do módulo espacial Aquarius, no filme Apollo 13, eu me perguntei como seria o espectro desse composto observado da terra. Mas nunca imaginei que poderia ser um indicativo de passeios de naves extraterrenas a poluirem nosso sistema solar! Faltou mais ousadia de minha parte, talvez!

ApJL, 29-08-2016: Uma colaboração envolvendo astrônomos americanos da Universidade de Yale e California e outros, além da Universidade de Toronto, Canadá, estudaram um aglomerado globular chamado Dragonfly 44, com auxílio do telescópio havaiano Keck e concluiram que, de acordo com a distribuição de velocidade das estrelas visíveis ali, a massa esperada representa 48x a exposta pela matéria brilhante, levando-os à conclusão que o dito objeto é dotado de 98% de matéria escura. Supondo que esta seja composta de matéria bariônica (seria ainda mais inexplicável!), o difícil é casar o atual estágio do aglomerado (considerado espécie de mini-galáxia em nas vizinhanças da nossa) com as teorias de formação e evolução da população estelar. Agora é com os teóricos de achar um caminho razoável.




Science 02-Oct-2016, V.350-6256: Dinossauros – Dois tipos de extinção em massa praticamente ao mesmo tempo: quem aguenta? Uma colaboração envolvendo institutos da California, Philadelphia nos EUA e Mumbai, Índia concluíram, após análises de relação de abundância de isótopos encontrados em conchas do mar de espécies extintas na Ilhas Seymour, na Antártida, que adviram dois eventos de alta de temperatura a cerca de 66 milhões de anos atrás, justamente na chamada borda K-P, que marca o fim do período Cretácio e início do Paleogênico. Parece que 150 mil anos antes da queda do tal asteróide que destruiu a vida dos dinossauros lá no Golfo do México, ao norte da península de Yucatan, uma sequência de erupções vulcânicas fustigaram as condições climáticas na terra, aumentando em 7,8C a temperatura global e fazendo extinguir as espécies mais primárias, encontradas nos oceanos. Em seguida, veio o asteróide e fez extinguir as espécies nas superfícies dos mares e em terra. Eventos assim hecatômbicos em sequência não deixam muita coisa em pé.




Science 08-352/6268p183: A vida pode ser um fenômeno mais fácil de se encontrar. Pelo menos é o que dá a entender um artigo de Cornelia Meinert, da Universidade de Nice numa colaboração de vários institutos de pesquisa franceses. Em um laboratório do Instituto de Química, Cornelia e seus colaboradores simularam um ambiente semelhante ao encontrado nos meios interestelares de nossa galáxia. Introduziram moléculas de água, metanol e amônia e submeteram a sopa a uma radiação ultravioleta. O resultado: aparecimento de vários açucares e ribose, um constituinte figurinha fácil no RNA, base do nosso DNA.




arXiv:1405.3990v2: Uma colaboração entre Harvard e Maryland examinou algumas inconsistências na estrutura da galáxia de Andrômeda que não batiam com a teoria. Em artigo a ser publicado no Astrophysical Journal, M. Dierickx e colaboradores apresentam resultados de simulações permitiram observar que a galáxia satélite M31 provavelmente "colidiu" com a galáxia principal. Tal colisão teria acontecido há uns 2 bilhões de anos atrás e teria durado uns 20 milhões de anos. A estrutura destoante de Andrômeda como por exemplo o aspecto externo das espirais mais parecidas com uma estrutura de anéis pode ser observada quando a simulação mostrou tal estrutura nas condições descritas.

Nature, Mar 2014: Ondas gravitacionais são detectadas na "fumacinha" do Big Bang. Através de observações da Radiação Cósmica de Fundo, aquela remanescente da primeira radiação (como a entendemos hoje) que o universo foi capaz de produzir, feitas pelos telescópios BICEP1 e BICEP2 instalados no Pólo Sul. O mais curioso é que essa detecção, recheada de voltas e reviravoltas dignas de um roteiro de filme hollyhoodiano (vide artigo da Nature "How astronomers saw gravitational waves from the Big Bang", onde John Kovac, um dos líderes da pesquisa, conta sua participação no trabalho) envolve duas linhas teóricas supostamente em conflito: a relatividade geral de Einstein (com a proposta da gravitação no contexto do campo unificado) e a mecânica quântica (que preconiza a era da inflação na evolução do universo), e que sempre foi duramente criticada por Einstein e seus seguidores. Será uma mensagem da mãe natureza para nos "conciliarmos"?

Physical Review Letters, Jan 2014: Uma colaboração de físicos da UFF, USP-São Carlos, CBPF e Universidade de Nottingham - Grã Bretanha realizaram um estudo teórico e experimental interessante. Um experimento complexo mas que conclui algo novo. Um efeito quântico que não possui correspondência no mundo macroscópico. Isso mostra que nosso universo macroscópico não é mais do que um caso muito particular de algo muito maior e mais complexo. Para mim, vem coisa grande aí. Coisas muito além do que quer nossa vã filosofia. Shakespeare estava certo.

Science On Line, Mar 2013: Há uma coisa que sempre me incomodou desde que fiz o curso de Mecânica Quântica na faculdade: quando o átomo de Bohr deixa de funcionar? Seguinte: existe o princípio da correspondência, uma espécie de "média" do mundo quântico com o mundo macroscópico, pois garante que há um momento que as coisas deixam de ser estranhas e passam a se comportar como a gente está acostumado e aprendeu na escola. Mas isso é no domínio da energia: chega um estado de energia que não se observa mais aquele comportamento do elétron orbitando em torno do átomo, sem perder energia e cair em espiral no núcleo. Esse estado tem até nome: contínuo. Mas, eu sempre quis saber, e tive vergonha de perguntar, qual é a carga do corpo central, e qual é a carga do corpo em órbita em que o átomo de Bohr não é mais átomo de Bohr e o sistema volta a se comportar de forma clássica, isto é, o corpo orbitante vai caindo em espiral no centro, emitindo continuamente radiação eletromagnética? Eu não sabia, mas essa resposta foi dada por Paul Dirac há 70 anos. Pelo menos no que tange ao tamanho da carga central. Dirac previu que um elétron relativistico, quando diante de um núcleo com carga acima de um certo limite não se comporta mais como no caso do elétron do átomo de Bohr. Ele cai em espiral no núcleo e, aí vem mais uma esquisitice, colapsa e termina com o núcleo emitindo um pósitron! Esquisito ou não, agora essa teoria foi confirmada em laboratório, em experiência comandada por Yang Wang, equipe de Berkeley, Reino Unido, MIT e Riverside, Califórnia. Eles usaram as propriedades do grafeno, um material, de carbono, muito esquisito, para confinar um núcleo artificial.




Nature, News, Mar 2012: Origens da lua. Um grupo liderado por Junjun Zhang, da Universidade de Chicago, levanta uma questão sobre as origens atualmente aceitas da lua. A idéia é que a lua seria formada da aglomeração do material orbitando em torno da terra, resultante da colisão com um planeta que teria existido na órbita entre a Terra e Marte. Tudo parece levar a essa hipótese. De fato, em termos cosmogônicos, há espaço para a existência de um planeta entre a Terra e Marte. Sua órbita seria dinamicamente instável, por conta a ação de Júpiter, e teria o mesmo destino de outros tantos asteróides que por aqui cairam. Só que era um planeta, e do tamanho de Marte. Do ponto de vista da Mecânica Celeste, sem problema. A colisão teria levado material para o espaço, parte dele seria capturada pelo campo gravitacional da Terra, parte cairia de volta e outra aglomeraria formando nosso único satélite. Pois bem, esse Zhang e colaboradores argumenta que, se assim fosse, o material da lua seria uma mescla do material terrestre e desse planeta "X", não é verdade? Logo, era de esperar que a constituição química da lua fosse diferente da terra. Mas não é! É exatamente igual...




Nature, 483, pp187-190: Um grupo de várias instituições francesas e alemãs de pesquisa observaram observacionalmente a "barreira, ou muro de Landauer". Trata-se da argumentação de Rolf Landauer, um físico da IBM, que derrubou o mito do "demônio de Maxwell". Até aqui, isso parece mais uma aventura de Harry Potter, mas não é. É pura física, e o debate mexe num dos seus mais importantes princípios: a segunda lei da termodinâmica, e o preceito já reconhecido por pesquisadores de muitos ramos da ciência: que o universo não passa de um processo de transferência de informação "em processo de constante desconstrução". Tudo surgiu numa carta de J.C. Maxwell a seu amigo e matemático Peter Tait, também escocês no final de 1867, onde ele aventa a possibilidade de inventar um "agente" que selecionasse somente as moléculas mais rápidas de um gás. Ao final do processo chegaríamos a produzir dois gases, um quente, e outro frio, um paradoxo da dita segunda lei. O processo, de tal forma assustador, ganhou o apelido de "demônio de Maxwell", aparentemente cunhado por Kelvin. Essa discussão evoluiu no decorrer do século XX para a seguinte situação: a construção de um computador que não teria necessidade de alimentação energética. Um verdadeiro "moto-perpétuo" cibernético. Simples. Um computador guarda na memória um conjunto enorme de "bits", cuja manifestação física é um desfilar de estados de carga elétrica "V", positiva ou negativa, dependendo da representação lógica que damos. Digamos que as unidades de memória em estado lógico "true" são representadas pelas unidades elétricas carregadas a um potencial elétrico "+5 Volts", enquanto que as em estado lógico "false" são representadas por unidades em potencial "-5 Volts". Operar um computador, no sentido de Turing, é encadear essas unidades de memória a mudar seu estado lógico um certo número de vezes. Ao final de um longo processo, e de se rodar vários programas, uma vez que o universo não privilegia estados lógicos, esperamos que a soma das transformações tende a se anular. A idéia é usar a energia de um bit a levado a "true" e que precisa ser levado a "false", em outro bit que necessita ser levado a "true" (sempre vamos achar um bit que precisa ser levado a "false" na mesma operação). Imaginemos agora que o demônio de Maxwell seja um androidezinho controlado por um computador. Ele é capaz de identificar uma molécula mais rápida e então uma certo bit do computador é levado a "true" e o "bracinho" do demônio levanta uma comporta e deixa a molécula "quente" passar. Em seguida, o tal bit é levado a "false" até a próxima observação. Essa operação é chamada "limpeza" (ou do inglês erasure), às custas de um outro bit do computador. Essa operação resume todos os procedimentos de utilização do computador para controle de processos, por exemplo. Essa experiência imaginária foi uma dor de cabeça para os físicos por muito tempo. Ninguém encontrava onde está o "furo" nesse processo, o que o fazia teoricamente possível, quando todos sabiam que, na prática, era irrealizável. É o que chamamos paradoxo. Em um artigo de julho de 1961, no IBM Journal of Research and Development, Landauer sugeriu que todo processo de "limpeza" dissipa energia e não adianta tentar aproveitar outro bit carregado. Limpar significa gastar. Desde então, apesar de teoricamente resolvido, o paradoxo nunca foi submetido à prova experimental. Até hoje, quando esses franceses e alemães observaram em laboratório. Não resta dúvida. A entropia é a manifestação da destruição da informação. O universo é o reino da informação em processo constante de destruição. Um dia, não se terá mais nada a informar.




Nature, 472, p 8-9: Duas equipes independentes, pesquisadores da Cornell University and Montain View California, concluiram que as ondulações nos anéis de Júpiter observadas pela sonda Cassini em 2009 são decorrências de quedas de cometas nas órbitas desses anéis. Um desses fenômenos está associado, inclusive, à queda do Shoemaker-Levy, em 1994.




Science, 331, janeiro 2011, p309: Uma cooperação da NASA e centros de pesquisa e universidades americanas e francesas, Weber et al., re-analisaram dados de sismógrafos deixados pelas missões Apollo na lua (sim, a lua tem atividade sísmica) e descobriram que a lua, a exemplo da terra, possui um núcleo duro, rodeado por material líquido. A única diferença é que, na lua, esse núcleo de camadas sólida e líquida é rodeado de material semifundido, o que não ocorre na terra.




Nature, News & Views, 469,  janeiro 2011, p.305-306: Peebles, o genial astrofísico, anota que Kormendy & Bender, em artigo do mesmo volume mostram que, ao contrário do que se pensava, buracos negros no centro de galáxias, especialmente com bojo (galáxias elípticas e espirais com bojo), são "alimentados" pela matéria escura deste bojo, durante a vida inicial das galáxias. Acreditava-se que os buracos negros "abissais", com massas que ultrapassam em muito a capacidade de modelá-los, tinham origem no big-bang, mesmo que não se soubesse exatamente qual seria o mecanismo que os teria criado. Agora, K&B matam a charada. Eles, os B.N., são tratados como "bebês mimados" pelas galáxias hospedeiras, que os "dão de mamar" com matéria escura como se fosse um abundante e morno leite materno.




Nature Journal, 469, janeiro 2011, p.181: Lentes gravitacionais constituem um fenômeno estranho. Derivado  da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, este mesmo não deu muita importância ao tema, apesar de apresentá-lo à Revista Science americana (ver minha palestra Lentes Gravitacionais para detalhes). Hoje, é uma das mais contundentes evidências que o genial cientista estava certo. Vê-se efeitos das lentes gravitacionais por todo o canto do universo. Um dos efeitos estranhos, porém confirmado, é o da mini-lente gravitacional. Invisível aos nossos olhos, a lente faz aumentar o brilho do objeto cuja visão é "atravessada" pela lente. Virtualmente, o brilho torna-se infinito se o centro da lente coincidir com o centro do objeto. Pois bem, uma colaboração entre australianos, americanos e chineses, Whithe et. al, concluiu que por efeito das lentes gravitacionais, galáxias situadas nos rincões mais afastados do universo, onde o redshift chega à casa de 12 (está tão distante que situam-se além do período de re-ionização do universo, dado em z=7), podem ter seu brilho superestimado em, pelo menos, um fator de 10. Eles sugerem que futuros surveys devem ser preparados levando em conta essa conclusão teórica.




NatureNews, novembro 2010: O demônio de Maxwell despertado. Um grupo de Universidade de Tóquio, liderado por S. Toyabe, alegam ter observado o demônio de Maxwell aprontando. O referido e transcendente ser foi apresentado por Maxwell no final do século XIX. Alegava ele que poderia colocar um demônio controlando a válvula de um tubo ligando dois recipientes, um cheio de gás a uma certa temperatura e outro com vácuo. O tal demônio seria capaz de selecionar as moléculas mais rápidas (visto que o próprio Maxwell mostrou que um gás a uma certa temperatura é formado de moléculas munidas das mais diversas velocidades, obedecendo uma distribuição, que ganhou o nome de seu descobridor) do tubo cheio e deixá-las passar para o tubo vazio. Assim, após algum tempo teríamos um gás mais quente que o outro, violando a segunda lei da termodinâmica. Poderíamos inverter o sentido natural dos processos termodinâmicos sem gastar energia. Muito se discutiu na época, mas o fato é que ninguém conseguia achar o "furo" da experiência imaginária (tem que ser imaginária, não? Ou você acredita em duende?). A solução desse paradoxo veio com a informática. Na ciência da computação, esse paradoxo equivale ao da assertiva: um computador pode trabalhar sem necessidade de consumir energia, pois pode-se aproveitar a energia que se gasta para elevar um bit a 1 (um), quando este vai a 0 (zero), para ser enviada para outro bit necessitando ser elevado a 1, de forma que, na média, um computador não gastaria energia, podendo-se aproveitar a energia de seu estado num instante para carregá-lo em outro estado no instante seguinte. A solução deste paradoxo e do demônio de Maxwell se dá quando se "zera" o computador. Temos que "zerar" o estado do computador para recomeçar um novo processo e evitar assim, contaminação do processo anterior. Zerar um computador equivale a dizer, jogar sua energia fora. Da mesma forma, o tal demônio precisaria de energia para saber se uma molécula está ou não na velocidade desejada. A cada seleção a "cabeça" do demônio tem que ser "zerada" para evitar que a decisão para a próxima molécula seja contaminada pela decisão anterior. Os japoneses depararam com um processo semelhante ao descrito por Maxwell quando trabalhavam com moléculas de porietileno. Dr. Toyabe foi experto o bastante para evocar o dito demônio e divulgar sua experiência. Que a segunda lei da termodinâmica continua intocada, todo mundo sabe.




Astron & Astrophys, 516, L12 (2010): Um grupo internacional de astrônomos, liderados por F. Courbin, da École Polytechnique Fédéral de Lausanne, Suiça, mas que também tem gente de Caltech e da Alemanha, observou, pela primeira vez, um caso de lente gravitacional por um quasar. Ele atua sobre uma galáxia na mesma direção a uma distância cinco vezes maior. Para confirmar, eles usaram o Telescópio Keck, na California, que com sua dupla de telescópios de 10m de diâmetro cada, é quase uma covardia, já que é um telescópio privado e que só aceita programas de origem californiana. Mas o que é notável é que a descoberta se originou de uma "mineração de dados", que eu chamaria mais apropriadamente, "garimpagem de dados", do Projeto Sloan, esse, público e disponível ao público em geral. É uma ótima notícia para quem se dedica ao desenvolvimento do Observatório Virtual! Aguardemos mais descobertas espetaculares por aí.




Science Express, junho 2010: Harold S. Levison, do Southest Research Institute, e colaboradores, através de simulações, mostraram que os cometas que observamos são, em sua maioria (90%) originários de fora do sistema solar, quebrando uma crença secular entre os cometólogos. O fato é que a teoria, baseada em Oort, o genial astrônomo dinamarquês, não dá conta de tanto cometa que observamos. Se fosse, digamos 10% ou 20%, poderíamos pensar que trata-se de mera conjectura. Mas 90%! Esse resultado é, realmente, uma bomba na teoria tradicional. Que descoberta!




Science Now, maio 2010: Um grupo liderado por S. Grzedzielsk do Instituto de Pesquisa do Espaço, Polônia, concluiu, baseado em observações  das sondas Voyager 1 e 2, que se aproximam da zona chamada "choque da terminação" (termination shock), onde, teoricamente, a energia do vento solar vai a zero, que o sistema solar está prestes a entrar em uma nuvem remanescente de supernova, onde se encontram partículas altamente energisadas. Embora não exista perigo para a vida, aqui embaixo, na terra (sempre o escudo de ozônio), a coisa pode complicar para os astronautas no espaço. Temos 100 anos para achar uma solução.




Science Now, março 2010: Um mistério a respeito da origem dos quasares parece ter sido desvendado. Sabe-se que quasares são fenômenos que ocorreram em tempos remotos do universo, pois sua frequência é menor nas nossas imediações e abundante nos rincões do universo observado, de onde a informação do início está chegando só agora. Uma teoria aceita, era que os quasares eram "progenitores" das atuas galáxias espirais. Em seu interior encontra-se um imenso buraco negro e a energia espetacular que observamos nos quasares se deve ao fato que no início, a matéria se encontra densamente distribuída em torno do B.N. facilitando colisões, que seriam responsáveis pela energia observada. Outra idéia é que o "núcleo" central da galáxia, sem B.N. seria formada de estrelas muito massivas que levariam à eclosão em cascata de supernovas. Essa última teoria perdeu força quando se observam fenômenos em galáxias próximas que confirmam a existência de um B.N. no seu interior. No entanto, a idéia inicial de matéria em abundância favorecendo colisões com o B.N. central é meia "forçada". Agora, Ezequiel Treister da Universidade do Havaí e colaboradores mostraram que quasares podem ser resultado de colisões de galáxias progenitoras, em um ambiente de maior densidade de matéria. Interações entre os B.N. de seus interiores produziriam esse espetáculo que observamos. Essa idéia explica, inclusive, porque alguns quasares não são tão ativos, por conta de poeira que circunda seu interior.




Science  327, 29/01/2010: São dois satélites quase gêmeos. De tamanhos bem parecidos, são, ambos, satélites de Júpiter: Ganymede e Callisto. Um é rico, cheio de pedras, e metais em profusão. O outro, mais afastado, foi condenado a ficar na área dos enjeitados e carrega consigo apenas gelo e pedra. Por que? Parece até que o "grande pai" Júpiter, injusto, mostrou muito mais predileção por um deles. Bem, não podemos falar de "sentimentos" quando falamos de um grande planeta. Mas o fato de Ganymede estar "mais próximo", permitiu-lhe ser muito mais bombardeado por cometas e asteróides, lá, digamos, ums 3,9 bilhões de anos atrás. Por ter "apanhado" tanto, o satélite foi "premiado" hoje, apresentando maior diversidade de elementos. Pelo menos, é o que garante a dupla Amy Barr e Robin Canup do Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado. Suas simulações mostram muito coerência com cenário descrito acima.











Ganimede (esq) e Callisto (dir), apesar de dimensões muito semelhantes, o primeiro é muito mais "rico" em elementos do que o outro.




Nature 461, 148, 10/09/09: Monopolos magnéticos são uma espécie de unicórnio na física. Outra metáfora seria o "tabu". Quem falava deles era considerado meio "tãtã". Há até a idéia posta pelos físicos de partículas que o dipolo magnético é uma propriedade de universo. Pois bem, não mais. Dois grupos, Jonathan Morris et al. em Berlin e Tom Fennell et al. em Grenoble conseguiram observar os tais monopolos magnéticos em cristais a temperaturas próximas do zero absoluto.




Nature 460, 23/07/09: Fim das variáveis escondidas (ainda?). Um grupo europeu, liderado pelo austríaco Gehard Kirchmair realizaram uma experiência que, mais uma vez, derruba por terra a hipótese de variáveis escondidas na Mecânica Quântica. Porque esta é muito esquisita, muita gente tem dificuldade de aceitá-la, ou, em outras palavras, falando o português claro, entendê-la. A questão é o fenômeno do colapso. A M.Q. entende que os estados quânticos colapsam apenas quando são forçados por uma observação (nem vamos discutir o que significa "observação em M.Q.", certo?). Isto quer dizer que, antes da observação, a função de onda não "escolheu" nenhum estado. É o problema do "gato de Schöredinger" que não estaria nem vivo, nem morto, muito antes, pelo contrário. Apenas quando abrimos a caixa onde o gato está, é que a natureza "escolhe" o estado do gato: ou vivo, ou morto, já que no mundo macroscópico essas são as únicas possibilidades. Mas, parece que ainda tem gente que garante que tudo não passa de uma condição de nossa ignorância. O fato é, segundo eles, que nós não podemos saber o estado do gato, antes de abrir a caixa, e por isso, o estado colapsa porque a função de onda, ela mesma, só pode ter dois estados: vivo ou morto. O que acontece é que simplesmente não sabemos o estado de antemão. Essa situação é o que chamamos "variáveis escondidas". Para isso, há a condição de não-contextualidade. Se a natureza não escolhe, mas simplesmente apresenta um estado pré-existente, os resultados não podem depender do contexto da experiência. Parece que é isso que Kirchmair etal. demonstraram. Os resultados parecem indicar o carater contextual da M.Q. A natureza parece, sim, que "escolhe" o estado quando é forçada pela medida. Digamos assim, a natureza parece que não está nem aí para os problemas do universo. Quando este a força, ela escolhe um estado e apresenta. E qual é a natureza das funções de onda antes da medida? Parece que ela, a natureza, não faz questão de esclarecer.




Nature 457, 22/01/09: A. Dekel e colaboradores encontraram uma forma de explicar a taxa de produção estelar lá por redshifts entre 2 e 3 (quando o universo tinha uns 3 Gyr de idade), que era alta demais para o que os modelos clássicos previam: jatos de ar frio, ejetados no interior de halos densos e quentes. Fácil demais para ser verdade. Se confirmada, a hipótese é genial




Nature, vol 457, 22/01/09: Encontraram metano em Marte já há cinco anos. A novidade é que a equipe que encontrou na época, liderada por Michael Mumma, acompanhou a evolução do gás até hoje. O fato é que metano não é estável naquelas bandas e alguma coisa deve estar criando. Eles notaram que, uma vez o metano é produzido, demora uns anos terrestres para se desfazer. O que ninguém ainda entendeu é como o metano é produzido e qual o mecanismo dele ser absorvido.




Science, Vol 323, 16 jan 2009: E a lua tem um núcleo de ferro? Segundo Ian Garrick-Bethell e equipe, sim. E seu campo magnético é compatível com um astro de idade de cerca de 4,2 bilhões de anos. Quase tão velha quanto a terra. E agora? Como casar essa conclusão com a hipótese da formação de material resultante de uma colisão de um planeta entre a Terra e Marte com a Terra?




Science, Vol 323, 16 jan 2009: Assim como a polêmica do ovo e da galinha que foi resolvida recentemente (o ovo nasceu primeiro, não há mutação em animais já prontos) parece que a polêmica de quem nasceu primeiro, as galáxias ou os imensos buracos negros em seus interiores pende para esses últimos. A dupla Chris Carilli do NRAO Socorro, Novo México e Dominik Riechers de Caltech-Pasadena, California observaram que a massa circundante de buracos negros (galáxias espirais) decresce com o redshift, isto é, quanto mais velhas, mais massivos são esses objetos. A conclusão é que os objetos originais seriam buracos negros primordiais que aglutinariam massa com o tempo, gerando as galáxias. Há controversias, como por exemplo, Andrew Fabian, de Cambridge, Inglaterra. Para ele, tais argumentos não são suficientes.




Science, Vol 323, 16 jan 2009: Notícias oriundas da Reunião Anual da Sociedade Astronômica Americana dão conta que é possível observar galáxias em fusão com seus núcleos ativos (buracos negros no centro) em órbitas de colisão. Essa observação reforça a idéia de que quasares seriam frutos de colisão de galáxias, como sustenta a astrônoma da Universidade de Berkeley, Julia Comerford.




Science 19 set 2008 Vol. 321 no. 5896, pp. 1664 - 1667: Examinando dados da sonda Stardust que foi coletar material no cometa 81P/Wild 2, Nakamura e colaboradores encontraram evidências de material produzido em altas temperaturas. Mas qual alta temperatura, cara pálida? O dito 81P/Wild 2 é um cometa novo, isto é, tudo indica que é a primeira vez que o bólido vem por essas bandas do sistema solar. De resto, ele passou seus 4 bilhões de anos de existência a 30.000 UA do sol, no mais gélido ambiente, algo em torno de seus -270oC, o que é longe de ser alta temperatura. Essa descoberta, então nos suscita a perguntar por onde passou nosso amigo cometa? Teria ele se originado na zona interior do sistema solar? Teria ele "saído" de um outro sistema? Pode ser, também, que ele se formou, ou coletou material de alguma nuvem de poeira aquecida por uma supernova, por exemplo. Essa é a hora de especular, gente. Vamos lá!

Science 11 Jul 2008 Vol. 321. no. 5886, pp. 223 - 226: Mais uma forma de prever uma supernova (pelo menos o início de seu brilho). Kevin Schawinski de Oxford, Inglaterra, e um grupo grande de colaboradores, conseguiram observar no telescópio espacial Galaxy Evolution Explorer uma vaga de radiação ultravioleta do objeto SNLS-04D2dc, em uma galáxia do hemisfério sul. Essa vaga escapa do interior da superfície da estrela, como consequência da onda de choque que se forma quando o material em queda livre, no núcleo da estrela, se choca com o interior já em regime de núcleo atômico, de tão denso que é o ambiente. Antes que essa onda de choque alcance a "atmosfera" da estrela, ela vai aquecendo o gás no caminho intermediário e a radiação resultante é essa vaga ultravioleta. Como a expansão da onda de choque se dá na velocidade do som e a radiação ultravioleta, por ser eletromagnética, vai na velocidade da luz, essa radiação nos chega com alguns dias de antecedência do grande espetáculo. Quando a onda de choque chega no envólucro exterior da estrela, dá-se o brilho característico da supernova.


ScienceNow, jun/2008: E a Via Láctea é "barrada"! Se você pensa que nossa galáxia é assim, como a imagem de cima? Não! Ela é como a imagem debaixo. Phil Berardelli relata que dois grupos, um do Spitzer Space Telescope e outro, do VLBA (Very Long Base Array) apresentaram trabalhos independentes, na última reunião da Astronomical American Society dando conta que dois dos quatro braços espirais de nossa galáxia, na verdade são "cotocos", e que por isso nossa galáxia apresenta um aspecto que se assemelha às "barradas" que tanto esquentaram os debates na década de 90. Não é nada, não é nada, sabemos que tal aspecto se deve à presença de estrelas em órbitas bem elípticas, e que por isso, eventos dinâmicos aconteceram em passado recente. Conhece teu passado e saberás quem és, dizia o filósofo. Eis aí mais uma oportunidade.

Science (2008), 320, p. 1204: Tosca, Knoll & McLennan obtiveram mais um indício da presença ancestral de água em Marte. Medidas de concentração de minerais e compostos dão a medida da pressão de vapor relativa de soluções aquosas (aH2O). Limites superiores assim deduzidos são compatíveis com a presença antiga de água em nosso planeta irmão.

Science (2008), 320, p. 1195: Krause et al, conseguiram recuperar o espectro original do espectro da supernova Cassiopéia A, cuja nebulosa remanescente é uma das mais estudadas (ver comentário abaixo em Nature News, 01/09/04). Isso graças a um artificio recentemente desenvolvido pelos astrônomos. Havia muita polêmica sobre qual seria o seu tipo. Os telescópios e dispositivos de coletar a luz estão cada vez mais poderosos e isso permite que se observe o "echo" da explosão ocorrida a 300 anos atrás, pela poeira que circunda a estrela. Com essa técnica, Krause e seus colaboradores determinaram, através de observações na faixa do rádio, que a referida supernova foi do tipo IIb, isto é, resultante do colapso de uma gigante vermelha, ao findar o combustível já secundário, ou seja, hélio. Cassiopéia A foi bem uma supernova "comportada" e no figurino.

Nature, mai/2008, 453, p. 469: Há uma ponta de excitação na observação de Soderberg e colaboradores. Por puro golpe de sorte, enquanto observavam com o satélite Swift da NASA, detectaram um pulso de raios X vindo da galáxia NGC 2770. O satélite Swift foi concebido para detectar e observar pulsos de raios gama. Esses, de origem ainda não totalmente esclarecida, atraem a atenção dos astrofísicos no sentido de entender melhor suas causas. Era isso que a equipe de Soderberg procurava. Sabendo da existência de uma supernova do tipo Ibc (uma das mais energéticas) na galáxia NGC 2770 o pessoal tentava colher algum indício de que os pulsos de raios gama pudessem vir desse fenômeno. Eis que, inesperadamente, o pessoal detecta um pulso de raios X vindo de um objeto próximo, na própria galáxia observada. Confirmado: eles estavam observando, pela primeira vez o que já se tinha previsto teoricamente. Uma supernova de uma estrela vizinha estava nascendo. Quando o "combustível" de uma estrela de grande massa (maior do que 13,6 massas do sol) se esgota, seu núcleo central entra em colapso gravitacional. Coisa de segundos. Nada interrompe esse colapso até que toda essa massa em queda visceral assume densidade comparável com a do núcleo atômico e encontra, aí, resistência das forças nucleares. A matéria central, então, ricocheteia produzindo um dos processos mais energéticos conhecidos. Esse "esmagamento" da matéria produz um processo de decaimento conhecido como processo "Urca", proposto por Gamov e Schoenberg, por sinal após uma grande de perda de dinheiro numa farra no Cassino da Urca no Rio de Janeiro. Aí é liberado uma quantidade de neutrino maior até que o Big-Bang. Uma onda de choque se produz, e vai arrebentando e acelerando toda a matéria que encontra. Nesse ponto, eletrons são acelerados até velocidades relativísticas e são eles os que produzem esse pulso de raios X. Em seguida, um pouco atenuada, a onda de choque vai aquecendo a matéria externa da estrela produzindo o brilho que chamamos supernova. Até agora, só se tinha conseguido observar supernovas alguns dias após seu aparecimento, ou seja, muito tempo depois de se ter a chance de observar esses raios X.

Nature, abr/2008, 452, p. 851: Mais um teste (bem sucedido) da teoria da Relatividade Geral. M. J. Valtonen, este da Finlândia, liderando um grande grupo de europeus, turcos, e canadenses, observaram o quasar OJ 287, tido como possuidor de dois grandes buracos negros em seu centro. Previsões teóricas divergem se adotados métodos relativísticos ou não. Pelo cálculo "clássico", o período esperado de atividade de cerca de 12 anos, teria cerca de 20 dias a mais. Não é o que se observou. Picos bem definidos que acontecem de 12 em 12 anos ajustam-se bem ao modelo relativístico que prevê a emissão de ondas gravitacionais, fazendo o sistema perder energia gravitacional. O sistema giraria mais rápido, à medida que o tempo passa.

Science, mar/2008, vol. 319: Uma questão que nos aflige a todos, em especial os astrônomos, é "somos iguais aqui ao resto do universo?". Desde Newton, aplicamos esse princípio: o que se observa na terra é universal, isto é, é válido em qualquer parte do universo. É o preceito que estabelece que Deus não nos deu qualquer privilégio. Ou, mais agnosticamente, Deus não existe, ou se existe está pouco ligando para nós, o que dá na mesma. Pois bem, essa questão da universalidade é colocada também no meio dos planetólogos. Será que um sistema planetário evolui da mesma forma que evoluiu aqui, no nosso sistema solar? Isso é o que parece ser segundo Carr et al, Science 319, 1504 (2008). Segundo suas observações na estrela AA Tauri, houve detecção de água, cujo papel é fundamental na distribuição de material orgânico no disco primordial, em proporções tais que parecem indicar essas hipóteses. É a primeira vez que se observa o disco tão longe em uma estrela: 3 AU.

Science, abr/2008, vol 320: Dois geofísicos americanos, Marc Fries e Andrew Steele anunciam a descoberta de "graphite whiskers", ou filamentos de grafite em meteoritos compostos de material orgânico. Pelas condições em que foram encontrados, sugere-se que tenham sido produzidos em altas temperaturas. Eles imaginam que tenham sido processados por ocasião de supernovas, por exemplo, do tipo Ia, que são aquelas utilizadas para calibrar distâncias em galáxias. Agora, é aí que a situação se torna interessante. Esses componentes podem falsear as medidas pois seriam responsáveis por reduzir a luz proveniente desses objetos. Medidas aqui na terra poderiam nos dar a falsa idéia que esses objetos estariam mais longe do que pensamos. Vejam bem: medidas de redshift nos dão uma medida de distância que é menor do que aquela que medimos do fluxo de supernovas que eventualmente acontecem nessas galáxias. Essas medidas, então, podem nos dar uma falsa idéia de aceleração do universo!!!




ScienceNow, março 2008: Telescópio Hubble foi capaz de obter um espectro da estrela HD 189733b e reconhecer uma variação com uma outra época quando foi tirado espectro do mesmo objeto. Reconheceram componentes em absorção de metano e vapor d'água. Muito estranho para uma estrela. O fato é que trata-se do espectro de seu proeminente planeta de tamanho aproximado de Júpiter. Esperava-se que num planeta tão quente (1000oC à sombra) o carbono fosse drenado para combinar-se com o oxigênio presente para formar monóxido de carbono. Hummm... Água + metano... Pode ser vida. A 1000oC?!!! Pode ser. Não estamos em condições de desprezar qualquer calorzinho em favor de achar vida. Até ET's exalando fogo pela boca! Por falar em dragões...




ScienceNow Daily News, dez 2007: Um grupo da Universidade de Toronto, Canadá descobriu que o efeito estufa, determinado pelo carbono na atmosfera, teria impedido a terra de se tornar uma imensa bola de gelo durante sua evolução. Carbono esse que também foi resultado da ação da vida no planeta. Creio que se trata daquela situação em que a vida intervém no meio ambiente de maneira a torná-lo propício à sua própria existência.




ScienceNow Daily News, dez 2007: Físicos liderados por Paolo Gondolo, de Salt Lake City, Univ. Utah, garantem que podem provar que, pela sua densidade, o universo primordial não permitiria as estrelas brilharem, isto é, iniciarem sua atividade nuclear. O resultado seria a existência de estrelas de até 15.000 a massa do sol cuja característica seria a de serem "escuras". Devem existir algumas delas por aí, defende o pessoal envolvido na pesquisa. Bastaria procurar em nuvens insterestelares e intergaláticas. Algumas medidas de raios gama e neutrinos poderiam bastar. "Há controvérsias", parafraseando Anselmo Góis.




Nature, vol 449, set 2007: Num certo ponto no interior do cinturão de asteróides, aquela faixa de asteróides entre Marte e Júpiter, um asteróide, hoje chamado Baptistina, de uns 170 km de diâmetro, teria sofrido um processo de disrupção há um tempo entre 190 e 140 milhões de anos atrás. Como conseqüência, dobrou o número de asteróides incidentes nos planetas telúricos (terrestres), inclusive o infame meteorito Chicxulub, que provocou o fim do período Cretácio e/ou era Terciária com a extinção, entre outros seres, dos dinossauros. Artigo de Bottke, Vokrouhlický e Nesvorný, p. 48.




Nature, vol 445, jan 2007, p. 183: Um grupo liderado por Thomas Macarrone, da Univ. Southampton, Inglaterra, achou evidências de um buraco negro no interior de um aglomerado globular na galáxia NGC 4472. Além das galáxias (espirais, bem entendido) teriam também os aglomerados globulares esses pequenos canibais vorazes no seu interior? O que seriam deles quando absorvidos pelas galáxias que circundam? Tendo em vista que o BN achado seria de porte médio (umas mil massas solares), seriam eles as fontes dos mini-jatos que achamos de vez em quando em nossas galáxia?




Nature, vol 444, 30/11/2006: Um trabalho de fôlego faz sensação nos meios da arqueologia astronômica. Fragmentos de um dispositivo conhecido por Mecanismo de Antikítera, achado nos restos de uma embarcação no mar da Grécia em 1901 deram as indicações para a reconstrução de um calculador astronômico datado do Século II aC. Se essa pequena peça for como os arqueólogos imaginam (ver figura abaixo), é uma lição do quanto os gregos evoluíram também nas técnicas mecânicas.